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Aprendi com um amigo, que não se pode construir a eternidade com palavras, e aprendi com meu pai, que estas, as palavras, foram feitas para esconder os pensamentos.
Aprendi da forma mais dolorosa o quanto o amor pode ser indiferente a outrem, mesmo que tão nobre. E aprendi também a pedir desculpas a quem condenei, quando a indiferença tornou-se minha.
Aprendi com uma mulher de alma angelical, que por mais que nos esforcemos, nem sempre poderemos fazer o bem a quem merece. Mas, aprendi também que sempre se pode descobrir em si mesmo uma nobreza inesperada.
Após algumas poucas conquistas, aprendi a acreditar em mim mesmo, e depois de muitos erros graves, a respeitar os limites do meu corpo e da minha saúde.
Aprendi com uma criança que amo, e compreendi o real significado do lema cristão de que há mais felicidade em dar, do que em receber.
Sendo filho, vi como o amor de uma mãe pode multiplicar-se, e aprendi com um tio, como o sangue pode não ter a menor importância quando a questão é afeto.
Aprendi na faculdade, que o saber está mesmo é nas pessoas, e não nos livros, e que os verdadeiros mestres são seus amigos.
Com o tempo, aprendi que nada é para sempre, nem mesmo as amizades. Mas aprendi também que a incerteza do que está por vir é o que nos mantém de pé.
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A Revista Piauí tem (ou tinha, não sei) uma seção chamada “O que aprendi”, e essa é a minha versão. Muito humilde e aquém da qualidade dos textos veiculados na revista, claro, mas não por isso, menos verdadeira.
Além disso, é uma homenagem a todos os meus mestres – pessoas que, por terem feito ou fazerem parte da minha vida, me ensinaram o que sei de mais importante.
Não tô falando que o cara é doido ???!!! Essa é sobre o show em São Paulo, depois da pataquada no Rio.
” …
Zakk passou a tarde enchendo a cara de whisky. Deu entrevistas tão bêbado que a maioria nem foi para o ar porque estavam simplesmente ridículas (uma delas foi no banheiro, por insistência do bebum, e claro que não deu para ser aproveitada pela emissora de TV). Depois de encher a cara, Zakk começou a surtar e quebrou o quarto do hotel inteiro, jogou garrafas de whisky na parede e acabou cortando o dedo. Não precisou ir para o hospital, mas a produção teve que chamar o Ozzy para ele ir no quarto do Zakk, para tentar acalmá-lo. Durante o show, o corte abriu e o dedo dele voltou a sangrar.
…
No Rio, ele havia jogado a guitarra para a platéia e, arrependido, de um ‘stagedive’ para resgatá-la; em São Paulo, ele preferiu arremesar um cabeçote (amplificador) Marshall.
… “
A sacanagem é não deixarem o infeliz que tomou uma “amplificada” dessas na cabeça, levar o bichinho pra casa. (Se bem que as preciosas válvulas dele certamente foram pro saco né. O cara teria que comprar umas novas, hahaha.)
Pronto, agora chega de falar desse cara.
Eu nem estava sabendo que o Ozzy Osbourne tocou no Brasil, na primeira semana do mês. Eu nunca nem escutei esse cara. Só conheço a fama do guitarrista brutamontes virtuose dele, o Zakk Wylde. Esse cara é um aspirante a viking, guitarrista mil notas por minuto cheio de firulas, e ídolo de metade dos amantes de metal-pipoca por aí.
Sei também da fama das guitarras dele.
Ele só usa Gibson: Les Pauls, Flying Vs e Explorers, basicamente, todas equipadas com captadores ativos EMG. Sua marca registrada são os harmônicos, – aquele berro que se dá com a guitarra, em solos, geralmente – técnica da qual ele abusa compulsivamente. ( A ponto de deixar muitos irritados. ) Sei, mas também nunca sequer ouvir um “famoso harmônico de Zakk Wylde“. Dane-se!! Um dia vou ouvir, mas não que isso me faça falta. E aliás, a questão não é essa.
Ainda sobre as guitarras.
Todos os modelos que ele usa têm pinturas customizadas, muito bonitas por sinal. As mais famosas são as do tipo apelidado de“bullseye”, uma espécie de alvo cor-sim-cor-não. –> Veja aqui um exemplo. Como seria de se esperar, hoje em dia, tanto a Gibson, quanto sua prima pobre Epiphone, têm modelos signature Zakk Wylde. Ou seja, réplicas de seus modelos customizados, produzidos em série, com as especificações das originais. E bem caras, claro !!

Porém, pelo menos uma de suas guitarras é modelo único. Exatamente essa que tá aí na foto. Ironicamente, uma signature de outro cara, uma Gibson Les Paul Chet Atkins (guitarrista que tem seu nome atrelado às guitarras Gibson desde os primórdios da marca.) Essa guitarra é toda fuçada, como se pode ver, cheia de tampinhas de garrafa pregadas, e o escambal. Ele tem ela faz uns 20 anos, e a chama de Rebel.
Bom, indo ao que realmente interessa.
O rapaz tem uma mania meio besta: atirar suas guitarras no público no final do show. Coisa de roqueiro muito louco, que toma todas, tem dinheiro pra jogar fora, e curte se divertir fazendo coisas rock’n'roll de verdade. Uhuuu!!! Yeah!!!
E não é que o espertão foi fazer isso aqui no Brasil e se deu mal ?
Pois é, no show do Rio, na última música ele jogou a guitarra pra platéia, logo a bendita Rebel. Quando viu que a guitarra tava sendo despedaçada, correu pra cima da platéia, se meteu lá no meio, e voltou com ela toda detonada e sem o headstock (a mão, que fica no começo do braço). HAHAHA!!! Otário!!! Ainda ficou nervosinho, e jogou ela no chão quando viu o estrago.
A respeito do que realmente aconteceu, como de costume, ouvem-se várias versões. Pelo o que lí, inclusive de pessoas que estiveram no show, o fato é que ele arremesou a guitarra por graça mesmo, possivelmente pra ir lá no meio da galera depois e tocar junto, fazer uma graça. Quando a guitarra chegou na platéia (e obviamente machucou alguém nessa brincadeira), todo mundo voou em cima do instrumento sagrado do deus do rock Zakk, e começou a disputá-lo, quebrando tudo, obviamente. Quando ele conseguiu recuperar, já estava tudo detonado.
Daí claro, sobra pro povo brasileiro, “que não é civilizado, já que lá fora ele sempre faz isso e nunca teve um problema desses.”
Bom, primeiro que show de rock-do-demônio nunca é um ambiente muito civilazado né. Nem tanto pelas pessoas, mas pelo clima mesmo. Vai ficar naquele aperto desgraçado, em meio a bate-cabeças, cusparadas e tudo mais, pra ver ! E como alguém pode esperar comportamento civilizado, se não se comporta assim? Chumbo trocado não dói, não é mesmo ? O cara arremessa um treco pesado, pontudo, lá do alto, na platéia, e ela quebra em retribuição. Ora bolas, nada mais natural!!! Olho (furado) por olho (furado), dente (quebrado) por dente (quebrado).
Pelo menos, o headstock já se sabe com quem está. Hahaha!!! –> Vejam isso aqui, é impagável.
–> Vejam a notícia que saiu no portal G1. (Lembrando que ele não jogou por causa de provocação não, como diz. Foi por graça mesmo.) E vejam uma foto do belezinha com cara de mau também.
Tomara que ele tenha ficado bem triste mesmo, embora eu duvide muito. Quem tem uma grana daquela não vai ficar mais do que alguns minutos na fossa, mesmo por algo de valor sentimental e que não se pode comprar em qualquer esquina. Mesmo porque, com certeza ele vai pagar o melhor luthier do mundo pra fazer uma réplica idêntica, e logo, logo, nem ele mais vai lembrar que aquela não é a original.
Na pior das hipóteses, sempre haverá por perto um bagulho muito louco para ele fazer a cabeça, e esquecer das tristezas.

Alí, dentro de seu quarto, empunhando aquele objeto mágico, ele agora era o maior de todos os homens. Pelas próximas horas nada poderia abatê-lo. Tudo havia ficado muito pequeno e distante. Nada seria grande o bastante para o incomodar, ou lhe roubar a força que tinha – nem as obrigações, medos, tristezas ou problemas. Olhou para seu reflexo e pensou ter o mundo em suas mãos.
O som produzido a golpes certeiros nas cordas era como gritos de libertação – gemidos ensudercedores de um corpo que recebia uma nova alma. As frustações e decepções convertiam-se em sinais elétricos que excitavam o alto-falante, preenchendo o cômodo com o som da redenção pessoal. O buraco em sua alma era agora preenchido pelas vibrações sonoras. Havia encontrado o caminho para a realização plena.
Naquela noite ele foi todos aqueles a quem sempre invejou. Ainda assim, foi além: sentiu que não queria mais ser nenhum deles, pois agora era maior ou tão grande quanto.
Sonhou que, daquele momento em diante, podia chegar onde quisesse, e ser o que sempre sonhara. E talvez, de fato podesse.

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