Eu nem estava sabendo que o Ozzy Osbourne tocou no Brasil, na primeira semana do mês. Eu nunca nem escutei esse cara. Só conheço a fama do guitarrista brutamontes virtuose dele, o Zakk Wylde. Esse cara é um aspirante a viking, guitarrista mil notas por minuto cheio de firulas, e ídolo de metade dos amantes de metal-pipoca por aí.

Sei também da fama das guitarras dele.

Ele só usa Gibson: Les Pauls, Flying Vs e Explorers, basicamente, todas equipadas com captadores ativos EMG. Sua marca registrada são os harmônicos, – aquele berro que se dá com a guitarra, em solos, geralmente – técnica da qual ele abusa compulsivamente. ( A ponto de deixar muitos irritados. ) Sei, mas também nunca sequer ouvir um “famoso harmônico de Zakk Wylde“. Dane-se!! Um dia vou ouvir, mas não que isso me faça falta. E aliás, a questão não é essa.

Ainda sobre as guitarras.

Todos os modelos que ele usa têm pinturas customizadas, muito bonitas por sinal. As mais famosas são as do tipo apelidado de“bullseye”, uma espécie de alvo cor-sim-cor-não. –> Veja aqui um exemplo. Como seria de se esperar, hoje em dia, tanto a Gibson, quanto sua prima pobre Epiphone, têm modelos signature Zakk Wylde. Ou seja, réplicas de seus modelos customizados, produzidos em série, com as especificações das originais. E bem caras, claro !!

Rebel

Porém, pelo menos uma de suas guitarras é modelo único. Exatamente essa que tá aí na foto. Ironicamente, uma signature de outro cara, uma Gibson Les Paul Chet Atkins (guitarrista que tem seu nome atrelado às guitarras Gibson desde os primórdios da marca.) Essa guitarra é toda fuçada, como se pode ver, cheia de tampinhas de garrafa pregadas, e o escambal. Ele tem ela faz uns 20 anos, e a chama de Rebel.

Bom, indo ao que realmente interessa.

O rapaz tem uma mania meio besta: atirar suas guitarras no público no final do show. Coisa de roqueiro muito louco, que toma todas, tem dinheiro pra jogar fora, e curte se divertir fazendo coisas rock’n'roll de verdade. Uhuuu!!! Yeah!!!

E não é que o espertão foi fazer isso aqui no Brasil e se deu mal ?

Pois é, no show do Rio, na última música ele jogou a guitarra pra platéia, logo a bendita Rebel. Quando viu que a guitarra tava sendo despedaçada, correu pra cima da platéia, se meteu lá no meio, e voltou com ela toda detonada e sem o headstock (a mão, que fica no começo do braço). HAHAHA!!! Otário!!! Ainda ficou nervosinho, e jogou ela no chão quando viu o estrago.

A respeito do que realmente aconteceu, como de costume, ouvem-se várias versões. Pelo o que lí, inclusive de pessoas que estiveram no show, o fato é que ele arremesou a guitarra por graça mesmo, possivelmente pra ir lá no meio da galera depois e tocar junto, fazer uma graça. Quando a guitarra chegou na platéia (e obviamente machucou alguém nessa brincadeira), todo mundo voou em cima do instrumento sagrado do deus do rock Zakk, e começou a disputá-lo, quebrando tudo, obviamente. Quando ele conseguiu recuperar, já estava tudo detonado.

Daí claro, sobra pro povo brasileiro, “que não é civilizado, já que lá fora ele sempre faz isso e nunca teve um problema desses.”

Bom, primeiro que show de rock-do-demônio nunca é um ambiente muito civilazado né. Nem tanto pelas pessoas, mas pelo clima mesmo. Vai ficar naquele aperto desgraçado, em meio a bate-cabeças, cusparadas e tudo mais, pra ver ! E como alguém pode esperar comportamento civilizado, se não se comporta assim? Chumbo trocado não dói, não é mesmo ? O cara arremessa um treco pesado, pontudo, lá do alto, na platéia, e ela quebra em retribuição. Ora bolas, nada mais natural!!! Olho (furado) por olho (furado), dente (quebrado) por dente (quebrado).

Pelo menos, o headstock já se sabe com quem está. Hahaha!!! –> Vejam isso aqui, é impagável.

–> Vejam a notícia que saiu no portal G1. (Lembrando que ele não jogou por causa de provocação não, como diz. Foi por graça mesmo.) E vejam uma foto do belezinha com cara de mau também.

Tomara que ele tenha ficado bem triste mesmo, embora eu duvide muito. Quem tem uma grana daquela não vai ficar mais do que alguns minutos na fossa, mesmo por algo de valor sentimental e que não se pode comprar em qualquer esquina. Mesmo porque, com certeza ele vai pagar o melhor luthier do mundo pra fazer uma réplica idêntica, e logo, logo, nem ele mais vai lembrar que aquela não é a original.

Na pior das hipóteses, sempre haverá por perto um bagulho muito louco para ele fazer a cabeça, e esquecer das tristezas. ;)