You are currently browsing the monthly archive for Maio, 2008.
E o amor, hein? Alguém sabe por onde é que ele tem andado? Acho que a última vez em que o vi, estava na novela. E mesmo assim, a gente descobria no final que era de mentira.
Tá, quer mesmo saber? A verdade é que o amor tornou-se demodê. Foi pro brechó, juntar-se a tantas outras humanidades já descartadas por falta de uso: família, casamento, religião, bom-gosto – essas coisas cafonas do tempo de nossos antepassados. Sério. Está tão ao relento quanto toca-disco, fita-cassete, peão.
Só resta ao desprezado amor, habitar a poesia, as histórias fictícias do cinema, da literatura e as alegorias do marketing. Em nossas vidas, virou frase feita, disparada por reflexo em situações onde não há para onde correr. Deixou de ser um baluarte da experiência subjetiva do homem, e adquiriu uma natureza meramente verbal.
“Mas ele diz que me ama.” Jura que isso é o melhor que ele sabe fazer? Peça para que ele se lembre disso todas as vezes em que te fizer sentir preterida e em segundo plano, todas as vezes em que te fizer chorar. Que cabimento há em provar o amor por meio de sucessivas e intermináveis declarações, até que a dúvida do outro seja vencida pelo cansaço?
Euteamos não amam a ninguém.
O amor não precisa ser declarado verbalmente, assim como não é preciso anunciar o nascer do sol ou o ondular do mar. O amor simplesmente toma conta de quem ama ou é amado.
Aliás, os homens das gerações mais recentes morrem de vergonha de admitir que amam. Disfarçam, desconversam, abusam de eufemismos, e quando declaram é com grande constrangimento, principalmente perante outros do gênero. Ninguém quer assumir uma caretice dessas.
Disseram-me: “Você está muito social, político. Fale sobre você, sobre a vida.” Pensei: “Perfeito, vou falar sobre o amor!”
Eu não acredito nesse amor que se vê por aí hoje em dia na ponta da língua de todo mundo. Não acredito no amor do seu amado(a) por você. Nem nesse seu amor por ele ou ela, por mim, ou por qualquer um de nós.
Acredito mesmo é que, atualmente, as pessoas dividem-se apenas em dois grupos: os mal-amados, e os que acreditam em Papai Noel.
O samba não morreu, nem o rock acabou, mas broxou. Bom, pelo menos esse que a gente vê lotando show por aí, nem catuaba, ovo de codorna e amendoim levantam. Tadinho, tão novinho e já tão ruinzinho de serviço. Deve ser por causa da pressão psicológica desses tempos modernos, essa necessidade de ser sempre melhor do que no dia anterior. Ou deve ser o mal do século: o estresse, a depressão, os problemas psicológicos. Sei lá, sei que não levanta (o público).
Pior, o rock new generation anda perdendo feio pra seus progenitores, muito mais velhos, porém vigorosos e viris até hoje.
Basta ver um show da Pitty pra entender isso. A baiana até tenta honrar seu estado natal, de onde vieram alguns roqueiros ilustres, como Raul, Marcelo Nova, mas não consegue. O vírus do rock’n'roll já sofreu muita mutação desde que surgiu, passou a ser modificado, sintetizado em laboratório, e hoje em dia não contagia mais ninguém. Ou talvez – pensando numa outra explicação biológica – o gene mutante do rock já tenha se perdido, dada a quantidade de mortes prematuras dos indíviduos portadores da anomalia genética.
Sei lá eu. O que eu sei é que assistindo a um show da Pitty, num parque aberto cheio de gente, numa tarde muito bonita – cena que lembrava os festivais de rock ao ar livre – palco perfeito pra uma catarse, o que se viu foi uma roqueira anêmica e um público frígido. Deve ser a dengue, ou o sol escaldante dessa cidade, só pode.
A baiana não é tão tosca assim, coitada. Ela é gente boa, faz aquilo como se fosse a coisa mais fantástica do mundo, até parece se esforçar, mas não convence. A banda toca bem, bem ensaida, entrosada, som homogêneo, mas falta o borogodó.
É uma boa oportunidade de se perceber o que é a tal da atitude rock’n'roll de hoje. Pitty finge atitude, mas de fato não tem nenhuma. Ficaria melhor se ela não tentasse falar palavrão e fazer pose de “que se foda”. Aliás, feio mesmo ficou ela ter feito propaganda da lojinha da banda, e depois ter dito: “Quem quiser comprar, massa, quem não quiser também, que se foda!” . Peraí? É assim então? Se eu não quero comprar, tenho que me foder? Ah… não, ela quis dizer: “Quem não quiser comprar, tudo bem, não muda nada pra mim”. É, então é bom aprender a se expressar direito, porque pegou mal. O público berrou “yeah”, como sempre, claro. Essa é a atitude do rock de hoje – palavrões e gritos estéricos sem motivo ou intenção.
O público nem se mexeu durante o show. Guitarra distorcida, bateria nervosa, e jovens parados. Alguns movimentos de tronco, cabeça pra frente e pra trás, só isso. Nem um pulinho, um mosh, alguém tentando subir no palco, nada. Espetáculo pra família e pra criançada.
O rock de hoje é pasteurizado, e o público também. Ambos saem da fábrica já esterilizados, limpinhos, livre de bactérias e com pouca gordura. Quem toma, já sabe que não vai dar indigestão no outro dia, mas também não sente aquele sabor da têta da vaquinha mimosa.
Não é culpa dela, a moça até que é esforçada, inteligente, bonitinha. O problema tá no sangue anêmico dessa nossa geração desnutrida, que cresceu comendo enlatado cultural e outras porcarias, e carece de sustância, como nosso avós (roqueiros) diziam.
Pra entender o que é um show, e um público de rock, basta assistar a um show dos Móveis Coloniais de Acaju (em Goiânia ou Brasília, de preferência!!). Depois venha me falar o que achou.
Haha!!! Não deu outra!!!
Led Zeppelin estará de volta para fazer uma turnê, como era de se esperar. Isso porque o Robert Plant tinha dito que isso estava fora de cogitação.
Brasil? Quem sabe. O Jimmy Page é chegado no Brasil né, vive por aqui.
Sou demasiadamente humano.
Humano que erra demais, sonha demais e almeja compartilhar do mundo dos deuses. Erro irreparável! Os deuses não devem ser tocados.
Mais do que isso.
Almejo igualar-me a um deus, mas todos os dias vejo-me inevitavelmente limitado em cada uma de minhas faculdades.
Sonho o tempo todo, sou herege comigo mesmo. Os deuses não têm sonhos, eles vivem os nossos.
Amaldiçôo o momento em que adormeço desperto e sou submetido aos desmandes da imaginação e do desejo – a mais primordial penalidade que nossa condição humana nos impõe. Acordar, por sua vez, é libertação e prisão.
Frustro-me por não ter a capacidade de controlar minha própria natureza – paradoxal, conflitante e insaciável.
Amo demais.
As mulheres, as canções, os sabores, as histórias de vidas, as palavras… tanta coisa, que mal sobra amor pra mim mesmo. Esqueço-me de que o mundo está dentro de mim e não lá fora.
Ponho-me a pensar em quantos sorrisos já perdi na multidão, e quantas vezes não pude tocar aquilo que via com desejo ardente. Perco a conta, mas nem mesmo quero fazer a conta.
Esqueço o passado, evito o presente, e não penso no futuro. Perco-me em micro-abismos pelo caminho do cotidiano, e sofro ao não me reecontrar.
Vivo sem fazer distinção entre o concreto e o abstrato, tampouco entre aquilo que é meu e o que é do outro. Sinto como se já tivesse vivido em todos os corpos, mas nunca emergido pra realidade.
Quisera eu, poder verter em palavras aquilo que sinto. Quisera eu, ao menos sabê-lo.

Comentários