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		<title>A(m&#124;d)or</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Jun 2009 14:26:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>edsonmarquezani</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em meio à inexpressividade musical tão abundante atualmente, tantos novos trabalhos totalmente insignificantes de grandes artistas, eis que surge essa coisa magrela, cabeçuda e cor-de-fogo que é o Nando Reis, e faz uma música inadjetivável como essa Pra Você Guardei o Amor, sétima faixa do novo disco Drês.
&#8211;&#62; Ouça aqui com a letra
Há artistas que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=edsonmarquezani.wordpress.com&blog=2437618&post=155&subd=edsonmarquezani&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;">Em meio à inexpressividade musical tão abundante atualmente, tantos novos trabalhos totalmente insignificantes de grandes artistas, eis que surge essa coisa magrela, cabeçuda e cor-de-fogo que é o <strong>Nando Reis</strong>, e faz uma música inadjetivável como essa <strong><em>Pra Você Guardei o Amor</em></strong>, sétima faixa do novo disco <em><strong>Drês</strong></em>.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://nandoreis.terra.com.br/discos-e-letras/?letra=P" target="_blank">&#8211;&gt; Ouça aqui com a letra</a></p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://nandoreis.terra.com.br/discos-e-letras/?letra=P" target="_blank"><img class="alignleft size-medium wp-image-156" style="border:0 none;margin:5px 10px;" title="NandoReis" src="http://edsonmarquezani.files.wordpress.com/2009/06/nandoreis3.jpg?w=250&#038;h=300" alt="NandoReis" width="250" height="300" /></a>Há artistas que fazem música com instrumentos, e há seres distintos como esse cara, que fazem poesia com a alma. Embora o dueto masculino-feminino lindo com<strong> Ana Cañas</strong> e o violão de Nando timbrado no ponto  ainda dêem o tom intimista perfeito, uma simples voz <em>a capela</em> (o que de fato acontece) bastaria para dar os mesmos arrepios.</p>
<p style="text-align:justify;">Pra maioria de nós, que nunca faz nada de bom com sua dor e desilusão fica aí um exemplo invejável do como um ser humano pode fazer de seu amor e sua dor uma expressão divinamente bela do que é não ser divino e sofrer.</p>
<p style="text-align:justify;">Um artista que faz uma música como essa não precisa fazer mais nada até o fim da vida, que já terá feito muito.</p>
<div id="_mcePaste" style="overflow:hidden;position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">http://nandoreis.terra.com.br/discos-e-letras/?letra=P</div>
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		<title>O disco que ganhei</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Apr 2009 03:19:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>edsonmarquezani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>

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		<description><![CDATA[Como criança que era, tudo que eu queria naquele dia era ganhar um brinquedo. Esperei o dia todo, ansiando a chegada deles, não pensando em outra coisa, sonhando com aquele momento. Coisa de criança inocente, sonhadora, de poucas companhias, enfiada em seu mundinho próprio tentando torná-lo grande o bastante para lhe acolher confortavelmente. Ao final [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=edsonmarquezani.wordpress.com&blog=2437618&post=148&subd=edsonmarquezani&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;">Como criança que era, tudo que eu queria naquele dia era ganhar um brinquedo. Esperei o dia todo, ansiando a chegada deles, não pensando em outra coisa, sonhando com aquele momento. Coisa de criança inocente, sonhadora, de poucas companhias, enfiada em seu mundinho próprio tentando torná-lo grande o bastante para lhe acolher confortavelmente. Ao final do dia, voltaram trazendo o objeto que outrora, por desconhecido e representante que era de toda uma imaginação movida a puro desejo e sonho, causara tanta inquietude: um disco de vinil.</p>
<p style="text-align:justify;">Meu Deus, que decepção! Lembro-me como se fosse hoje. Continua gravado aqui nesse consciente, tão tangente a ponto de quase me causar lágrimas ainda agora.</p>
<p style="text-align:justify;">Um LP de capa azul &#8211; em primeiro plano um robozinho de mão de pinça, luzes grandes coloridas resplandecentes, cabeça de lata abobadada, braços de mangueira de aspirador de pó, lembrava àquele do <em>Perdidos no Espaço</em>. (Vim a conhecer o seriado somente anos depois, mas me vem essa comparação à cabeça hoje.) Era um daqueles discos da <em>Som Livre</em>, comuns na época, com temática infantil: musiquinhas dançantes, cantantes e divertidas para crianças.</p>
<p style="text-align:justify;">Não pra mim. Eu queria um brinquedo, droga! Uma jogo novo de massinhas de modelar da <em>Estrela</em>, um <em>Comandos em Ação</em>, um <em>Lego</em>, um <em>Batman</em> de brinquedo, um <em>Superman</em>, <em>Aquaman</em>, <em>Homem-Aranha</em>, qualquer um!</p>
<p style="text-align:justify;">Chorei feito criança, tal que eu realmente era. Olhava aquele quadrado azul-colorido e tinha vontade de sumir. Temia ter que ouvi-lo por obrigação, para não mostrar a rejeição ao agrado dos pais. Pensava em tudo que aquele objeto devia ser e não era, e chorava novamente – se é que já havia parado.</p>
<p style="text-align:justify;">Um tempo depois eu pedi de presente aos mesmos que me deram o disco azul maldito, vejam só, um disco! Que dessa vez fora escolhido e adquirido pelas minhas próprias mãos, embora não com meu dinheiro. Entrei na loja já sabendo o que queria e disse: <em>“Quero aquele pendurado ali em cima”</em>. Nem precisei procurar muito, escolher; era produto do momento. (Hoje não entendo muito bem o porquê, mas naquela época os discos ficavam às vezes pendurados nas lojas, como roupas no varal.)</p>
<p style="text-align:justify;">A capa mostrava uma mulher em pose de dança, meio retorcida, atrás um fundo amarelado e tiras de todas as cores circundando-a, com os nomes das músicas seguindo esse mesmo sentido das faixas. Era o <em>Disco 95</em>, uma coletânea das músicas <em>dance/disco</em> que mais fizeram ou faziam sucesso no ano – uma espécie de <em>Top Hits</em>. Mais um da <em>Som Livre</em>, que naquela época ainda tinha vários lançamentos nesses moldes, mas dessa vez nada de música pra criança. Era música para jovem &#8211; para mim, menino petulante, presunçoso, que queria ouvir música de gente grande.</p>
<p style="text-align:justify;">Escutei aquele disco por bastante tempo. Foi, das poucas experiências que tive com o vinil, a mais duradoura.</p>
<p style="text-align:justify;">Logo veio o CD, e aqueles discos grandes e pretos se foram. Mal sabia eu o que estava por vir -  tanto em minha vida, quanto no mundo.</p>
<p style="text-align:justify;">Descobri o mundo mágico dos discos, que então já eram menores, compactos, <em>compact discs</em>, e estes viraram meus objetos de desejo. Continuei ainda parcialmente decepcionado por não poder tê-los como queria. E não podendo comprar um CD, naquela época, você ficava sem música – não havia <em>MP3</em> e<em> internet</em> para tornar tudo mais fácil.</p>
<p style="text-align:justify;">Mesmo assim, os seis meses de espera entre um disquinho novo e outro eram recompensados por horas e horas de audição interminável, e devoração dos encartes.<br />
Por vários anos em que esses eram meus objetos de desejo maior, tive poucos, mas que foram saboreados prolongadamente e em sua completude, cada um.</p>
<p style="text-align:justify;">O tempo passou mais ainda, nem tanto assim, mas o suficiente para acabar também com esses disquinhos menores, e hoje eu sinto falta deles. Falta de desejá-los, de esperá-los, de não tê-los, e de quando tê-los, colocar neles toda a felicidade que um instante de vida pode proporcionar. Falta de não ter outra forma de saciar minha sede de música senão com eles.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu ainda, caso pudesse mudar os eventos do início de meus dias, escolheria ter ganhado um brinquedo, ao invés de um disco, naquele dia triste que não se apaga de minha memória. Mas ainda assim, gostaria de ter ganhado muitos mais discos como aqueles, em dias mais felizes do que aquele e do que estes de agora.</p>
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		<title>Palágrima</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Mar 2009 18:11:02 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[
Talvez a dificuldade em escrever deva-se à ausência de vida, ou ao excesso desta. Quem é que sabe dizer quando acontece um ou outro? Quem aqui seria irresponsável o bastante para dizer que tem o controle da situação? A situação de ser(-)humano; ser que é verbo e substantivo entrelaçados e inseparáveis; ser que é jogado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=edsonmarquezani.wordpress.com&blog=2437618&post=143&subd=edsonmarquezani&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } --></p>
<p style="text-align:justify;">Talvez a dificuldade em escrever deva-se à ausência de vida, ou ao excesso desta. Quem é que sabe dizer quando acontece um ou outro? Quem aqui seria irresponsável o bastante para dizer que tem o controle da situação? A situação de ser(-)humano; ser que é verbo e substantivo entrelaçados e inseparáveis; ser que é jogado de lá pra cá pela maré de possibilidades e incertezas que é a vida, escravo de si e do que está ao seu redor.</p>
<p style="text-align:justify;">O texto se liquefaz no cérebro daquele que tenta apanhá-lo, intangível, fujão, sempre um passo à frente, como um borrão na penumbra. Quanto tocado se desfaz como bolha de sabão. Fica aquela sensação do choro que não sai, da lágrima aprisionada, o nó na garganta que não vira pranto.</p>
<p style="text-align:justify;">As palavras não vêm, assim como a vida também não vem em doses exatas, regulares e com hora marcada. A vida vem em avalanches e conta-gotas, e não raro as gotas inundam e as avalanches deixam tudo no lugar.</p>
<p style="text-align:justify;">Feliz é aquele que aprendeu a domar seu espírito, adestra sua natureza e arranca o que quer dela, na hora em que quer. A maioria de nós vive refém de si mesmo, não há porque negar – a negação já é em si uma afirmação de muitas outras coisas.</p>
<p style="text-align:justify;">Se nada disso parece fazer sentido é porque o sentido também é moço frágil, que tomba diante de qualquer argumento, qualquer olhar diferente, e não tem morada fora da mente de quem o concebe. As palavras são pilares inabaláveis sobre os quais se constroem universos, mas que nunca permitem vê-los. Para alcançar aquilo que elas sustentam é preciso derrubá-las, e tocar o subjetivo do autor, algo que, de fato, nunca é possível.</p>
<p style="text-align:justify;">Um texto será sempre uma tentativa desesperada de transpor a prisão eterna que é a subjetividade humana, e será sempre em vão. Se não tem sucesso, pelo menos cumpre o objetivo de dar algum breve alento aos que sonham em ver o mundo do lado de fora um dia.</p>
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		<title>Sensações alheias</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Feb 2009 20:07:36 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>

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		<description><![CDATA[Ah, se o mundo não fosse tão real, tão sóbrio! Talvez nós seríamos felizes, os homens não seriam todos infiéis, nem  as mulheres todas lascivas por natureza.
Se o mundo fosse assim, tal qual imaginamos quando éramos embriões sociais &#8211; fetos protegidos no ventre de nossas mães-pureza, alheios à tentação do outro, do reflexo tentador dos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=edsonmarquezani.wordpress.com&blog=2437618&post=135&subd=edsonmarquezani&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;">Ah, se o mundo não fosse tão real, tão sóbrio! Talvez nós seríamos felizes, os homens não seriam todos infiéis, nem  as mulheres todas lascivas por natureza.</p>
<p style="text-align:justify;">Se o mundo fosse assim, tal qual imaginamos quando éramos embriões sociais &#8211; fetos protegidos no ventre de nossas mães-pureza, alheios à tentação do outro, do reflexo tentador dos semelhantes em nossas retinas &#8211; quem sabe a vida fosse justa, o amor sempre verdadeiro e superador de toda as coisas.</p>
<p style="text-align:justify;">Talvez, se não tivéssemos esses mil olhos-de-maldade que nos guiam em completa cegueira, nem o cordão umbilical eterno que liga nosso umbigo à placenta da hipocrisia, o reinício da contagem dos dias no calendário pudesse ser chamado de &#8220;ano novo&#8221; com algum significado.</p>
<p style="text-align:justify;">Se Deus fosse mesmo pai, realmente olhasse por nós e não nos culpasse por aquilo que somos (mesmo tendo Este nos feito à sua imagem e semelhança); se em nome d&#8217;Ele não se fizesse a morte e a destruição, então não seria demais a escola ensinar ou a família educar.</p>
<p style="text-align:justify;">Não fossem almas atormentadas, corações partidos, psiques perdidas fingirem a lucidez por meio de palavras, quem sabe você, leitor, ainda permanecesse delirando/sonhando que pode ser feliz, e de fato assim fosse!</p>
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		<title>Destinos</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Aug 2008 22:16:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>edsonmarquezani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>

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		<description><![CDATA[De repente, na mesa do trabalho em frente àquela tela luminescente cheia de letras brancas sobre um fundo preto, ele viu seu reflexo envelhecido e pensou como a chegada dos vinte anos pareciam, naquele momento, tão pouco distante. No momento em que a passagem do tempo foi suspensa por uma mínima fração de infinito, como [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=edsonmarquezani.wordpress.com&blog=2437618&post=128&subd=edsonmarquezani&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;">De repente, na mesa do trabalho em frente àquela tela luminescente cheia de letras brancas sobre um fundo preto, ele viu seu reflexo envelhecido e pensou como a chegada dos vinte anos pareciam, naquele momento, tão pouco distante. No momento em que a passagem do tempo foi suspensa por uma mínima fração de infinito, como quando a morte se faz eminente, o homem foi abarcado por um turbilhão de lembranças, que o jogaram de um lado para o outro, fazendo-o chocar-se contra os pedaços de existência que emergiam de sua memória, frenética e psicodelicamente.</p>
<p style="text-align:justify;">Sentiu o gosto que tinha a sopa de fubá da escola, lembrou do cheiro forte do perfume do professor do primário, sentiu o frio das manhãs em que acordava como muita relutância e sofrimento.</p>
<p style="text-align:justify;">Lembrou da guitarra, o sonho de ser músico. Lembrou da bandinha que teve &#8211; a primeira, a segunda e todas as seguintes &#8211; , os shows para pouca gente, os shows para bastante gente e a vez em que finalmente acreditou que largaria tudo para viver como sempre sonhara. Mas aí vieram os gêmeos: a fragilidade deles, a luta pela guarda, o problema do mais velho com drogas (ora, mesmo quando gêmeos, um nasce primeiro, não é?!!), tantas adversidades e reveses do acaso.<br />
Na época, até que achou bom serem dois. Assim, não correria o risco de ceder à tentação de chamá-los de Neto. Sabe como é, gostava do Filho em seu nome, não custava fazer o mesmo e chamar o filho de Neto. Mas dois com o mesmo nome não dava! Escolher um só, muito menos !</p>
<p style="text-align:justify;">Ah sim, a guitarra. Acabou ficando para o mais novo &#8211; esse, músico de verdade. Lembrou de como se sentiu feliz quando ganhou um professor de música dentro de casa.</p>
<p style="text-align:justify;">Todos os blues de sua vida tocaram em sua mente. Mais do que tudo, aquela era a trilha sonora do seu mundo.</p>
<p style="text-align:justify;">Sentiu novamente o medo de quando dirigiu pela primeira vez, a felicidade de quando gozou com uma mulher pela primeira vez e a empolgação juvenil de quando voou pela primeira vez.</p>
<p style="text-align:justify;">Pensou que nunca conheceria o exterior, e conheceu.</p>
<p style="text-align:justify;">Vislumbrou o rosto envelhecido da esposa e pensou que não teria escolhido outro caminho na vida, senão aquela rota tortuosa e errante que o fez reecontrar seu grande amor dos tempos do colégio.</p>
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		<title>Juntos novamente</title>
		<link>http://edsonmarquezani.wordpress.com/2008/07/10/juntos-novamente/</link>
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		<pubDate>Thu, 10 Jul 2008 23:14:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>edsonmarquezani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Em 1999, Titãs e Paralamas juntaram-se &#8211; com o patrocínio de uma marca de absorventes &#8211; e fizeram shows pelas grandes cidades brasileiras numa turnê que levou o nome das duas bandas, seguido do nome do progesterônico patrocinador &#8211; Sempre Livre Mix. Sua namorada menstruava e você juntava as embalagens de absorvente pra ir lá [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=edsonmarquezani.wordpress.com&blog=2437618&post=107&subd=edsonmarquezani&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Em 1999, <strong>Titãs e Paralamas</strong> juntaram-se &#8211; com o patrocínio de uma marca de absorventes &#8211; e fizeram shows pelas grandes cidades brasileiras numa turnê que levou o nome das duas bandas, seguido do nome do progesterônico patrocinador &#8211; <strong><em>Sempre Livre Mix</em></strong>. Sua namorada menstruava e você juntava as embalagens de absorvente pra ir lá no supermercado comprar o cd com o registro do último show da turnê, no Rio de Janeiro &#8211; algo que combinaria mais com um cd do <strong>Rogério Skylab</strong>, talvez.</p>
<p>Os shows aconteciam assim: primeiro uma banda entrava e tocava sozinha suas próprias músicas; saía uma, entrava a outra e fazia o mesmo; pra só depois, finalmente as duas se juntarem e tocarem um set juntas, alternando-se na autoria das canções. O set era pequeno, coisa de dez músicas (no cd são 10, 8 delas da parte final), mas funcionava muito bem. No final do disquinho ainda tinha uma estrevista legal com vários deles falando sobre a carreira e o <strong>Marcelo Fromer</strong> soltando a pérola sobre a antiga amizade entre as duas bandas: <strong>&#8220;Sempre juntos, sempre livre, sempre mix&#8221;</strong>.<br />
A mistura que se ouvia soava muito homogênea, com arranjos bem acabados, um diálogo muito natural entre os integrantes e muita energia. <em><strong>Comida</strong></em> fechava o show, irresistivelmente dançante, cheia de swing &#8211; coisa do ska paralâmico.</p>
<p><strong>Ok, isso foi há quase dez anos atrás e tudo foi lindo.</strong></p>
<div id="attachment_108" class="wp-caption alignright" style="width: 356px"><img class="size-full wp-image-108" src="http://edsonmarquezani.files.wordpress.com/2008/07/59566post_foto.jpg?w=346&#038;h=243" alt="Titãs e Paralamas" width="346" height="243" /><p class="wp-caption-text">Titãs e Paralamas - Gravação do cd/dvd na Marina da Glória (RJ)</p></div>
<p>No segundo semestre do ano passado, os <strong>Titãs</strong> e os <strong>Paralamas</strong> reuniram-se novamente para um projeto quase igual, porém mais focado &#8211; tocarem pelo Brasil como uma banda só. Claro, nada de composições novas, só sucessos. Desde então eles têm feito shows nas grandes cidades, o que já rendeu um cd/dvd ao vivo.</p>
<p>Cheira a caça-níqueis, não é? Mas, talvez seja mais uma <em>&#8220;união do útil ao agradável&#8221;</em>.</p>
<p>As bandas têm uma grande amizade, desde há muito tempo (segundo contam, o primeiro porre de <strong>Charles Gavin</strong> foi responsabilidade de <strong>Herbert</strong>); são duas das bandas mais bem-sucedidas da primeira geração do rock brasileiro, e foram grandes responsáveis por forjar as bases desse gênero aqui, nos anos 80; produziram várias obras-primas e alcançaram grande sucesso popular.</p>
<p>Mas, há vários poréns nessa história.</p>
<p>Primeiro que os <strong>Titãs</strong> não são mais os mesmos, indiscutivelmente, &#8211; <strong>Marcelo Fromer</strong> morreu, <strong>Nando Reis</strong> saiu &#8211; e depois de tantas baixas de guerra e uma certa dose da ação implacável do tempo, já não têm mais tanta originalidade e furor musical a oferecer.<br />
Os <strong>Paralamas</strong>, embora ainda intocados pela morte e unidos, perderam com o acidente de <strong>Herbert</strong>. Sim, ele ainda é um gênio como sempre foi, tem aquela energia mágica que só se conhece ao vê-lo e ouvi-lo pessoalmente, mas já não tem o mesmo gás de antes, nem a destreza com a guitarra ou aquela voz que só desafinava na hora certa.</p>
<p>Ver as duas bandas tocando juntas no palco ainda deve ser de arrepiar, e inclusive esse show da gravação (no Rio de Janeiro, como sempre) deve ter sido de arrepiar, mas não se pode dizer o mesmo do álbum que registra o encontro.</p>
<p>A impressão que fica é de que tá todo mundo cansado (mesmo que não estejam) depois de fazer tanta história. Sei lá, não ficou harmonioso e contundente dessa vez.</p>
<p>As baterias de <strong>Charles</strong> e <strong>Barone</strong> não adicionaram peso extra nenhum ao som, muito pelo contrário &#8211; parece que, por conta da mixagem, de duas baterias que estavam no palco, não se escuta nem uma sequer.<br />
O set de músicas é muito lugar-comum. Nem o <em><strong>Caraço da Cabeça</strong></em>, música genial que eles compuseram juntos, tocaram.</p>
<p>As participações também foram dispensáveis &#8211; com exceção do grande e genial <strong>Arnaldo Antunes</strong>, claro. Onde foi parar o peso todo da guitarra de <strong>Andreas Kisser</strong>? No cd é que não foi. <strong>Samuel Rosa</strong> como sempre, com aquele vocalzinho que não fede nem cheira, também não fez muita diferença no som.<br />
A turnê sim teve participações mais interessantes, como <strong>Marcelo Camelo</strong>, por exemplo.</p>
<p>Algo interessante de se notar e que fica muito evidente com a alternância da autoria das músicas é a diferença clara entre as cancões dos dois grupos &#8211; algo que se comparado a um desenho seria como uma pintura rupestre obscena em contraste com uma paisagem realista numa tela a óleo: a força e a crueza rústica das canções do <strong>Titãs</strong> ao lado da poesia inteligente e belamente construída de <strong>Herbert</strong> &#8211; em ambos os casos, música boa.</p>
<p>Mas, de qualquer maneira, eu ainda sou muito mais o álbum duplo dos <strong>Paralamas</strong>, <em><strong>Uns Dias Ao Vivo</strong></em> e o <em><strong>Ao Vivo MTV</strong></em> dos <strong>Titãs</strong> &#8211; cada um um belo registro de uma grande banda, com um puta som, esses sim dois cds do cacete!  &#8211; do que o <em><strong>Titãs e Paralamas Juntos e Ao Vivo.</strong></em></p>
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		<title>O burguês e o convicto</title>
		<link>http://edsonmarquezani.wordpress.com/2008/06/07/o-burgues-e-o-convicto/</link>
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		<pubDate>Sat, 07 Jun 2008 03:23:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>edsonmarquezani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>

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		<description><![CDATA[Freqüenta restaurantes com os amigos; vai a barzinho todo final de semana. Bebe cerveja, mas não porque gosta. Na verdade, odeia, mas é que todo mundo bebe e não vai ser ele o careta da turma.
Veste roupa de marca &#8211; quando vai ao shopping sempre volta com alguma sacola de grife na mão. Tem comprado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=edsonmarquezani.wordpress.com&blog=2437618&post=105&subd=edsonmarquezani&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Freqüenta restaurantes com os amigos; vai a barzinho todo final de semana. Bebe cerveja, mas não porque gosta. Na verdade, odeia, mas é que todo mundo bebe e não vai ser ele o careta da turma.</p>
<p>Veste roupa de marca &#8211; quando vai ao shopping sempre volta com alguma sacola de grife na mão. Tem comprado número 44 ao invés dos 40,42 de antes; G, e não mais M &#8211; comer fora tem lá suas desvantagens também. Mas agora faz academia no final das tardes, tem certeza de que vai ficar em forma de novo.</p>
<p>Mora em apartamento no centro da cidade: sofá bonito, tapete novo, cortina na  janela. Não cozinha, não lava, não limpa chão.</p>
<p>Fez cursinho, tentou entrar num curso de trinta por vaga, e entrou. Vai ser juiz, médico, empresário, executivo; vai ser cidadão, participar da nossa &#8220;democracia&#8221;. Vai determinar o destino de muitos outros &#8211; pobres, ignorantes que ele nunca viu na vida.</p>
<p>Fica horas no telefone, falando com as meninas. Vai pra balada, pega um monte; contabiliza tudo. Vai pra praia, pega mais ainda.<br />
Desfila de carro com namoradas gostosíssimas &#8211; peitos grandes, coxas saradas, salto agulha, luzes no cabelo, olhos pintados. Vai ao motel pra transar. Nunca dormiu e acordou com a mesma mulher por alguns dias, debaixo do mesmo teto.</p>
<p>Não trabalha, não tem renda, mas sabe muito bem como funcionam os negócios, como se ganha dinheiro.<br />
Pega o carro do pai nos finais de semana, só enquanto não ganha o seu. Vai fazer intercâmbio nas férias.</p>
<p>Nunca teve coragem de usar drogas ilícitas. Acha que maconha é coisa de vagabundo.</p>
<p>Assina Veja, mas só folheia. (Ufa&#8230; menos mal.) Assiste a futebol pela tevê a cabo. Escuta poperô no emepê-quatro.</p>
<p>Entra no Orkut de vez em quando, pra mandar um scraps. Nunca escreveu uma carta pra alguém.</p>
<p>Ainda não sentiu o peso da vida, e nem vai sentir. Sempre teve tudo de sobra.<br />
Vai ter um filho, e vai dar a ele a mesma vida que teve.</p>
<p>Apenas mais um burguês, como tantos outros.</p>
<p>E você - pobre, de família pobre, proletário que pega coletivo pra trabalhar, que cozinha o arroz e feijão que come, que parcela em três vezes o all-star que calça; que é apaixonado pela arte, quer ser erudito; que escreve o que ninguém lê; que não pega ninguém, não é bonito; que anda a pé - (mesmo assim) é convicto de que tem muito mais do que qualquer burguês que anda por aí, e ninguém te convence do contrário.</p>
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		<title>Euteamos não amam a ninguém</title>
		<link>http://edsonmarquezani.wordpress.com/2008/05/30/euteamos-nao-amam-a-ninguem/</link>
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		<pubDate>Fri, 30 May 2008 21:58:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>edsonmarquezani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios]]></category>

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		<description><![CDATA[E o amor, hein? Alguém sabe por onde é que ele tem andado?  Acho que a última vez em que o vi, estava na novela. E mesmo assim, a gente descobria no final que era de mentira.
Tá, quer mesmo saber? A verdade é que o amor tornou-se demodê. Foi pro brechó, juntar-se a tantas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=edsonmarquezani.wordpress.com&blog=2437618&post=101&subd=edsonmarquezani&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>E o amor, hein? Alguém sabe por onde é que ele tem andado?  Acho que a última vez em que o vi, estava na novela. E mesmo assim, a gente descobria no final que era de mentira.</p>
<p>Tá, quer mesmo saber? <strong>A verdade é que o amor tornou-se demodê.</strong> Foi pro brechó, juntar-se a tantas outras humanidades já descartadas por falta de uso: família, casamento, religião, bom-gosto &#8211; essas coisas cafonas do tempo de nossos antepassados. Sério. Está tão ao relento quanto toca-disco, fita-cassete, peão.</p>
<p>Só resta ao desprezado amor, habitar a poesia, as histórias fictícias do cinema, da literatura e as alegorias do marketing. Em nossas vidas, virou frase feita, disparada por reflexo em situações onde não há para onde correr. Deixou de ser um baluarte da experiência subjetiva do homem, e adquiriu uma natureza meramente verbal.</p>
<p><em>&#8220;Mas ele diz que me ama.&#8221;</em> Jura que isso é o melhor que ele sabe fazer? Peça para que ele se lembre disso todas as vezes em que te fizer sentir preterida e em segundo plano, todas as vezes em que te fizer chorar. Que cabimento há em provar o amor por meio de sucessivas e intermináveis declarações, até que a dúvida do outro seja vencida pelo cansaço?</p>
<p><strong>Euteamos não amam a ninguém</strong>.</p>
<p><strong>O amor não precisa ser declarado verbalmente, assim como não é preciso anunciar o nascer do sol ou o ondular do mar. O amor simplesmente toma conta de quem ama ou é amado.</strong></p>
<p>Aliás, os homens das gerações mais recentes morrem de vergonha de admitir que amam. Disfarçam, desconversam, abusam de eufemismos, e quando declaram é com grande constrangimento, principalmente perante outros do gênero. Ninguém quer assumir uma caretice dessas.</p>
<p>Disseram-me: <em>&#8220;Você está muito social, político. Fale sobre você, sobre a vida.&#8221;</em> Pensei: <em>&#8220;Perfeito, vou falar sobre o amor!&#8221;</em></p>
<p>Eu não acredito nesse amor que se vê por aí hoje em dia na ponta da língua de todo mundo. Não acredito no amor do seu amado(a) por você. Nem nesse seu amor por ele ou ela, por mim, ou por qualquer um de nós.</p>
<p>Acredito mesmo é que, atualmente, as pessoas dividem-se apenas em dois grupos: os mal-amados, e os que acreditam em Papai Noel.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/edsonmarquezani.wordpress.com/101/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/edsonmarquezani.wordpress.com/101/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/edsonmarquezani.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/edsonmarquezani.wordpress.com/101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/edsonmarquezani.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/edsonmarquezani.wordpress.com/101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/edsonmarquezani.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/edsonmarquezani.wordpress.com/101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/edsonmarquezani.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/edsonmarquezani.wordpress.com/101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/edsonmarquezani.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/edsonmarquezani.wordpress.com/101/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=edsonmarquezani.wordpress.com&blog=2437618&post=101&subd=edsonmarquezani&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Rock longa-vida</title>
		<link>http://edsonmarquezani.wordpress.com/2008/05/20/rock-longa-vida/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 May 2008 14:52:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>edsonmarquezani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas (irresponsáveis)]]></category>

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		<description><![CDATA[O samba não morreu, nem o rock acabou, mas broxou. Bom, pelo menos esse que a gente vê lotando show por aí, nem catuaba, ovo de codorna e amendoim levantam. Tadinho, tão novinho e já tão ruinzinho de serviço. Deve ser por causa da pressão psicológica desses tempos modernos, essa necessidade de ser sempre melhor [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=edsonmarquezani.wordpress.com&blog=2437618&post=98&subd=edsonmarquezani&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>O <a href="http://letras.terra.com.br/alcione/44027/">samba não morreu</a>, nem o <a href="http://letras.terra.com.br/moptop/196976/">rock acabou</a>, mas broxou. Bom, pelo menos esse que a gente vê lotando show por aí, nem catuaba, ovo de codorna e amendoim levantam. Tadinho, tão novinho e já tão ruinzinho de serviço. Deve ser por causa da pressão psicológica desses tempos modernos, essa necessidade de ser sempre melhor do que no dia anterior. Ou deve ser o mal do século: o estresse, a depressão, os problemas psicológicos. Sei lá, sei que não levanta (o público).</p>
<p>Pior, o rock <em>new generation</em> anda perdendo feio pra seus progenitores, muito mais velhos, porém vigorosos e viris até hoje.</p>
<p>Basta ver um show da <em><strong>Pitty</strong></em> pra entender isso. A baiana até tenta honrar seu estado natal, de onde vieram alguns roqueiros ilustres, como <em><strong>Raul</strong></em>, <em><strong>Marcelo Nova</strong></em>, mas não consegue. O vírus do <em>rock&#8217;n'roll</em> já sofreu muita mutação desde que surgiu, passou a ser modificado, sintetizado em laboratório, e hoje em dia não contagia mais ninguém. Ou talvez &#8211; pensando numa outra explicação biológica &#8211; o gene mutante do rock já tenha se perdido, dada a quantidade de mortes prematuras dos indíviduos portadores da anomalia genética.<img class="alignright alignnone size-full wp-image-99" style="float:right;margin:10px;" src="http://edsonmarquezani.files.wordpress.com/2008/05/simonon.jpg?w=277&#038;h=383" alt="" width="277" height="383" /></p>
<p>Sei lá eu. O que eu sei é que assistindo a um show da <em><strong>Pitty</strong></em>, num parque aberto cheio de gente, numa tarde muito bonita &#8211; cena que lembrava os festivais de rock ao ar livre &#8211;  palco perfeito pra uma catarse, o que se viu foi uma roqueira anêmica e um público frígido. Deve ser a dengue, ou o sol escaldante dessa cidade, só pode.</p>
<p>A baiana não é tão tosca assim, coitada. Ela é gente boa, faz aquilo como se fosse a coisa mais fantástica do mundo, até parece se esforçar, mas não convence. A banda toca bem, bem ensaida, entrosada, som homogêneo, mas falta o borogodó.</p>
<p>É uma boa oportunidade de se perceber o que é a tal da atitude <em>rock&#8217;n'roll</em> de hoje. <em><strong>Pitty</strong></em> finge atitude, mas de fato não tem nenhuma. Ficaria melhor se ela não tentasse falar palavrão e fazer pose de <em>&#8220;que se foda&#8221;</em>. Aliás, feio mesmo ficou ela ter feito propaganda da lojinha da banda, e depois ter dito: <em><strong>&#8220;Quem quiser comprar, massa, quem não quiser também, que se foda!&#8221;</strong></em> . Peraí? É assim então? Se eu não quero comprar, tenho que me foder? Ah&#8230; não, ela quis dizer: <em>&#8220;Quem não quiser comprar, tudo bem, não muda nada pra mim&#8221;.</em> É, então é bom aprender a se expressar direito, porque pegou mal. O público berrou <em>&#8220;yeah&#8221;</em>, como sempre, claro. <strong>Essa é a atitude do rock de hoje &#8211; palavrões e gritos estéricos sem motivo ou intenção.</strong></p>
<p>O público nem se mexeu durante o show. Guitarra distorcida, bateria nervosa, e jovens parados. Alguns movimentos de tronco, cabeça pra frente e pra trás, só isso. Nem um pulinho, um mosh, alguém tentando subir no palco, nada. Espetáculo pra família e pra criançada.</p>
<p><strong>O rock de hoje é pasteurizado, e o público também.</strong> Ambos saem da fábrica já esterilizados, limpinhos, livre de bactérias e com pouca gordura. Quem toma, já sabe que não vai dar indigestão no outro dia, mas também não sente aquele sabor da têta da vaquinha mimosa.</p>
<p>Não é culpa dela, a moça até que é esforçada, inteligente, bonitinha. O problema tá no sangue anêmico dessa nossa geração desnutrida, que cresceu comendo enlatado cultural e outras porcarias, e carece de sustância, como nosso avós (roqueiros) diziam.</p>
<p>Pra entender o que é um show, e um público de rock, basta assistar a um show dos <em><strong>Móveis Coloniais de Acaju</strong></em> (em Goiânia ou Brasília, de preferência!!). Depois venha me falar o que achou.</p>
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		<title>Dito e feito: Led Zeppelin vai voltar</title>
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		<pubDate>Wed, 14 May 2008 14:57:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>edsonmarquezani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Na agulha da vitrola]]></category>

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		<description><![CDATA[Haha!!! Não deu outra!!!
Led Zeppelin estará de volta para fazer uma turnê, como era de se esperar. Isso porque o Robert Plant tinha dito que isso estava fora de cogitação.
Brasil? Quem sabe. O Jimmy Page é chegado no Brasil né, vive por aqui.
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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Haha!!! Não deu outra!!!</p>
<p><a href="http://diario.iol.pt/musica/led-zeppelin-digressao-robert-plant-jimmy-page-tournee-iol-musica/950973-4060.html" target="_blank">Led Zeppelin estará de volta para fazer uma turnê</a>, como era de se esperar. Isso porque o <a href="http://www.osarmenios.com.br/?p=3064" target="_blank">Robert Plant tinha dito que isso estava fora de cogitação.</a></p>
<p>Brasil? Quem sabe. O Jimmy Page é chegado no Brasil né, vive por aqui.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/edsonmarquezani.wordpress.com/93/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/edsonmarquezani.wordpress.com/93/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/edsonmarquezani.wordpress.com/93/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/edsonmarquezani.wordpress.com/93/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/edsonmarquezani.wordpress.com/93/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/edsonmarquezani.wordpress.com/93/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/edsonmarquezani.wordpress.com/93/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/edsonmarquezani.wordpress.com/93/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/edsonmarquezani.wordpress.com/93/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/edsonmarquezani.wordpress.com/93/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/edsonmarquezani.wordpress.com/93/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/edsonmarquezani.wordpress.com/93/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=edsonmarquezani.wordpress.com&blog=2437618&post=93&subd=edsonmarquezani&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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